Diagnóstico Socioterritorial

Convivemos cotidianamente com o aumento das desigualdades sociais e suas expressões, colocando a vida em situação de total desrespeito, por ausência de políticas públicas, ou políticas inefetivas, o que reforça as expressões da questão social na sociedade.

Existem políticas públicas para atender à população, todavia tais políticas precisam atender diretamente às necessidades e demandas, em consonância com os interesses populares.

Ao pensar a Política de Assistência Social, a população usuária deve ser público central nos debates, garantindo democratização nas construções e direcionando os serviços de um território.

E é nesta conjuntura que queremos propor esse diálogo sobre o diagnóstico socioterritorial, considerando a diversidade do país, as configurações de cada município e os serviços ofertados no SUAS na defesa dos direitos da população referenciada na assistência social.


Para garantir qualquer tipo de proposta e intervenção é preciso conhecer a realidade que temos, e desta forma o diagnóstico socioterritorial é um excelente instrumento, de total relevância para subsidiar o planejamento e qualificar os atendimentos, serviços, programas e projetos no âmbito do SUAS.

O diagnóstico socioterritorial é um instrumento que permite o aprofundamento interpretativo da realidade que precede qualquer tipo de ação prática.


De forma analítica, técnica e sistemática, o diagnóstico socioterritorial é a busca por dados que subsidiem ações estratégicas, planejamento para intervenções nas demandas presentes em um determinado local.

O diagnóstico socioterritorial propõe o levantamento de dados quantitativos, qualitativos do território, elucidando ainda as potencialidades e limitações existentes, bem como as questões culturais e peculiares do objeto de estudo, servindo de elementos norteadores para a planejamento da política de assistência social na região foco da ação.

Os equipamentos da assistência social, onde são ofertados os serviço, programas e projetos, necessitam de conhecimento diagnóstico e informações organizadas para planejar e executar o Trabalho social com famílias e por meio do diagnóstico socioterritorial é possível ter um panorama da rede municipal e de forma direcionada à rede socioassistencial.


De acordo com Viudes e Ferreira (2017) – o Diagnóstico Socioterritorial é uma vinculação do território de vivência e suas características em coalizão com a vida de quem reside e se incide neste território. O objetivo do diagnóstico é aproximar os dados e as pessoas, pois não basta analisar individualmente, é preciso saber quem são essas pessoas, onde elas vivem e quais são as características deste espaço de vivência, suas histórias, instituições, movimentos, etc.


Embasados por Koga (2016) o conhecimento da rede intersetorial é caminho para se estabelecer o diálogo com as políticas públicas locais, considerando que o local de vivência é o mais próximo do cotidiano da população.


Conhecendo a realidade de um território, suas vulnerabilidades, o índice de exclusão social, a desigualdade social, as potencialidades, entre outras; em posse destes elementos é possível, com participação popular, contribuir com a gestão das políticas públicas, na qualificação dos serviços, parcimônia na utilização dos recursos, respeito com os profissionais de execução dos serviços, apresentando propostas diretivas no cotidiano laboral.


Este assunto não se esgota, mas se renova e fortalece no cotidiano, defendendo que nos espaços sócio ocupacionais seja norteado por dados técnico-científicos a fim de prestar serviços de qualidade à população.


Luciane Dias
Assistente Social

Referências Bibliográficas: https://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/dicivip_datain/ckfinder/userfiles/files/Questionario_Diagnostico_CRAS_final.pdf KOGA, Dirce Haruo. Diagnóstico Socioterritorial entre o chão e a gestão. ano 14 • nº 243. vol. 14. São Leopoldo: Universidade do Vale do Rio dos Sinos: 2016. SANTOS, Milton. O dinheiro e o território. In: SANTOS, Milton et al. Território, territórios: ensaios sobre o ordenamento territorial. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

Viudes, Paula Fonseca do Nascimento; Ferreira, Silvia Aline Silva. Passos e Descompassos: o Território vivido e a Gestão da Política de Assistência Social a partir do Diagnóstico Socioterritorial. Universidade Federal de Santa Catarina, 2017.

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4 respostas

    1. Muito bom ter aqui Juraci, sua contribuição é essencial para nosso trabalho. Siga conosco, é um privilégio discutirmos sobre a política de assistência, compartilhe também!
      Abraços afetuosos.

  1. Aproveitando o termo emprestado da Saúde “Diagnóstico”…..ouso fazer a seguinte analogia……Por meio da observação dos “sintomas” , o tratamento tem grandes chances de promover a “cura”….. Acredito que a reflexão para a construção das políticas deva caminhar de mãos dadas com o máximo que se possa coletar de informações sobre a população que o habita……Muito bom Luciane

    1. Muito bom ter aqui Simone Melette, sua analogia é assertiva, a “cura” de qualquer expressão social só será possível com conhecimento e desenvolvida no coletivo. Grata por sua contribuição,nos fortalece. Siga conosco neste diálogo e compartilhe também!
      Abraços afetuosos.

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